terça-feira, 23 de julho de 2013

foi uma água que a acordou, em meio às gotas que escorriam das pedras cor âmbar, o barulho, ensurdecedor, calava tudo o que estava em volta. lembrou da palavra sagrado, em sua consagração.
era aquilo o motivo que vivia, ou que poderia viver. mas havia se esquecido.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

...

(Diego, Giacometti)
deduzo do silêncio
um vão enigmático
igual os seus olhos,
cor púrpura,
que de tão bravios
me tolem
me transformam num vão

viro um buraco
um redemoinho
o abismo do relógio
o centro das horas
que não vêem
e passam.

pausadamente,
teu silêncio me diz
...




quarta-feira, 22 de maio de 2013

Imaginar você pelado é um dos exercícios meditatórios que me trazem esbórnia. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tenho a sensação que Brasília é cercada de um silêncio tácito. As longas avenidas que calam o granir dos carros. Tão necessários. Os longos espaços. Os longos espaços longos. As distantes pessoas.
Que de repente se fazem presentes em espaços presentes. Que de repente se fazem repentes. Nos espaços mesmos, as pessoas. Repetidas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Teu silêncio que se apresentava como respiração, hoje o escuto no meu choro. Meu choro é a ausência do que não foi. Meu choro é pela fé que tive. Imaginei que você voltaria. E em não voltando respiro tristeza. Uma mágoa que sai sofrida e trôpega, um exagero desnecessário. O seu ar, silencioso, arde em mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

o problema do estar num lugar não estando.

só a ideia de ter você por perto, me traz poesia.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Eu queria ter tempo para sonhar de menos. Eu queria que o tempo, que em mim escorre, não se expandisse na força de uma explosão, como quando eu começo a sonhar. Voltar para a realidade dos sonhos diminutos deste mundo é por vezes desesperador. Queria que o mundo fosse o mundo que a gente sonha, e não esse mundo vil, fulgaz, matador de sonhos. Não quero um filtro de sonhos. Não quero um mundo maniqueísta. Cansei. Cansei de me explicar, cansei de explicar que a arte é um caminho sem fim. Cansei de viver. E em me cansando de viver, vejo o gato pulando. Brincando com a comida.
E a vida volta. A gente tem que se alimentar pra fazer coco.
E ele fede.